Chegamos
ao fim da História como disse Francis Fukuyama? Quando caiu o Muro de Berlim e
se acabou o sistema soviético, muitos acharam que, enfim, o mundo tinha chegado
a um estágio em que uma tendência política e econômica tinha se tornado
vitoriosa e passaria a ser o padrão desejável para toda a humanidade. Assim, o
capitalismo derrotara o comunismo e passara a ser o sistema predominante nos
países chamados avançados e poderosos, sistema que, por causa da eficiência e
da grandeza, seria, inevitavelmente, adotado por todos os seres humanos.
Especificamente no campo da política o padrão a ser alcançado seria o da
democracia adotada nos países capitalistas e desenvolvidos.
Regra
simples, fácil de entender. A História chegou ao fim porque o mundo não veria,
a partir deste momento crucial, grandes transformações no campo da política e
da economia porque descobrira o modelo ideal. As mudanças seriam apenas vistas
em sociedades que ainda não tinham alcançado o modelo desejável.
Mas
a História é teimosa e relutante e não chegou ao fim. Se a regra da evolução
humana foi considerada fulminante, por que as coisas não aconteceram como eles
tinham previsto? Por que o mundo não se tornou um lugar mais pacífico e
democrático? Por que surgiram lutas e bandeiras consideradas “sem lógica”? Por
que se disseminaram as ditaduras em certos países? Por que cresceu o
nacionalismo? Ou por que voltou o extremismo contra minorias?
Na
verdade o mundo não é fácil de entender. Não pode ser explicado por uma regra
simples. São muitas variáveis que estão em jogo. O objetivo deste livro é
tentar explicar, com uma linguagem simples e objetiva, os principais aspectos
da política internacional, suas principais características, as principais
questões que marcam a contemporaneidade no tocante ao poder.
Há aspectos que não podem ser desconsiderados
pelos que acompanham a política internacional. As mudanças de nomes de
estadistas podem até ser rápidas, mas algumas tendências são bastante
duradouras. São ideologias, transformações políticas e, até mesmo, atitudes
peculiares, cuja disseminação e adoção por partidos, facções, grupos armados ou
outros grupos representativos, em um país ou vários, mudam o mundo político e
constroem novos núcleos de poder. Para grande parte dos estudiosos de Política
Internacional, não se pode entender o mundo contemporâneo sem estudar os
seguintes assuntos: a) fundamentalismo islâmico; b) nacionalismo; c) conflitos
de natureza étnica; d) União Europeia; e) Avanço do extremismo; f) Questão dos
migrantes e refugiados; g) a ameaça do autoritarismo; h) conflitos duradouros
em todo o mundo; i) terrorismo; j) o papel dos Estados Unidos, potência num
mundo de unipolaridade.